Este texto poderia ter três finais. Ou três desenvolvimentos. Este texto poderia ter uma ligação com outro ou, por que não, ser a ligação para outro. Este texto poderia ser rasgado ou emoldurado ou pisado. Assim é Corra, Lola, Corra, uma viagem magnífica aos mais belos conceitos comunicacionais.
O filme é alemão(ya!) e, considerando o cinema popular germânico, não é nada tradicional, graças a um roteiro extremamente bem bolado. São 3 narrativas para uma “mesma” história, todas começando do mesmo ponto de partida, de um marco zero, desenvolvendo-se cada qual com suas peculiaridades, estas fruto da importância e da influência das casualidades na realidade urbana diária. É hipertexto carimbado no focinho.
A obra , por incresça que parível, não torna-se maçante, pois o diretor e a equipe de produção estavam totalmente familiarizados com as maravilhas da intertextualidade. A mesclagem de linguagens áudio-visuais eleva o filme a um patamar além do cinema: – é uma aula de relação entre textos e suas mensagens. É a carruagem da elétrica jornada de 140 minutos.
O filme “fala” o tempo todo. Por vídeos, fotos, cartoons, músicas, silêncio. Pausas.
E suas mensagens voam, brigam, fazem as pazes, fazem amor, fazem as malas e voltam.
Corra, Lola, Corra é um espelho distorcido da realidade do final da década de 90, período em que o ser humano, em sua plena alienação, realmente começou a perceber que estávamos na era da informação, da pressa, das decisões apressadas. Em cada narrativa do filme, Lola faz diversas escolhas, todas influindo no desfecho das histórias. No caminho que percorre, ela se relaciona direta e indiretamente com tudo o que há para se interagir, de pessoas a carros, do céu ao chão, de magnatas do mundo financeiro a mendigos. Com pouco tempo a disposição, a ruiva descabelada toma decisões rápidas, nunca certas, nunca erradas que, como conseqüência, alteram seu destino. Todos esses conceitos são soberbamente “significados” por um ménage a trois entre intertextualidade, hipertextualidade e semiótica.
Bakhtin ficaria orgulhoso.
Filme bom esse, só não gostei do final…..mas fazer o que.